Mahindra mostra evolução e se firma como equipe a ser observada na temporada 12
- Bianca Emisa
- 7 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Mesmo sem pódio no E- Prix de são paulo, equipe confirma avanço técnico e indica potencial para surpreender no último ano do Gen3 Evo
A Mahindra chegou ao E- Prix de São Paulo cercada de expectativa. A forte pré-temporada em Valência — com Edoardo Mortara registrando o melhor tempo geral e Nyck de Vries fechando o top 5 — reforçou a percepção de que o time poderia iniciar a 12ª temporada da Fórmula E em alta. E, mesmo em uma corrida marcada por incidentes e erros, a equipe deixou o Sambódromo do Anhembi demonstrando velocidade e sinais claros de amadurecimento.

As duas Mahindras surgiam como candidatas reais ao pódio, mas tudo mudou logo na primeira curva, quando Mortara e De Vries se tocaram na largada, comprometendo de imediato qualquer estratégia inicial. Ambos continuaram na prova, mas o ritmo foi afetado. Pouco depois, Mortara recebeu cinco segundos de penalidade por não seguir instruções da Direção de Prova, enquanto De Vries precisou passar pelos boxes, caindo para o fim do pelotão.
Mesmo com os contratempos, De Vries foi em busca da recuperação. Com ritmo sólido e boa gestão de energia, o holandês avançou até o nono lugar, garantindo dois pontos importantes para o início do campeonato, depois de ter largado em P5.
Após a corrida, ele analisou seu desempenho: “acho que tivemos um pacote muito forte e competitivo hoje. Fomos bem desde o treino e também executamos uma classificação decente. Temos um conjunto sólido, e isso anima para as próximas provas”, disse De Vries.
Mortara vinha em nono quando uma sequência de erros comprometeu sua prova. Na volta 23, ele se envolveu em um incidente com Lucas di Grassi, da Lola. O impacto deixou o carro atravessado na pista, forçando a entrada do Safety Car e resultando no abandono de ambos.
Como a Mahindra reconstruiu sua base e por que vem ganhando mais atenção?
O bom momento atual da Mahindra ganha peso quando lembramos o passado recente. No E- Prix da Cidade do Cabo, em 2023, uma falha de suspensão levou a equipe a retirar todos os carros da etapa, escancarando uma crise estrutural. A saída inesperada do CEO Dilbagh Gill, o rompimento com a ABT Cupra e a desistência de Oliver Rowland no meio da temporada agravaram o cenário.
A virada começou com a chegada de Frédéric Bertrand, ex-FIA, que redesenhou a estrutura da Mahindra: reorganizou processos, reforçou o quadro técnico e apostou em estabilidade. Mortara e De Vries chegaram como uma dupla experiente e alinhada ao novo momento.
Com o avanço para o Gen3 Evo, a Mahindra atualizou seu trem de força e passou a competir de igual para igual com equipes como Jaguar e DS Penske. Os pódios conquistados em 2025 mostraram que o trabalho de reconstrução estava consolidado, e o encerramento da temporada colocou o time muito próximo da Nissan em performance.
Nos testes em Valência para a nova temporada, os sinais positivos se confirmaram: Mortara liderou o geral, De Vries figurou novamente entre os primeiros e a Mahindra deixou claro que chega ao último ano do Gen3 Evo como uma equipe mais madura e competitiva.
A corrida em São Paulo não trouxe o pódio que parecia ao alcance, mas evidenciou ritmo, evolução e capacidade de recuperação. Para a temporada a energia é positiva: “a nossa expectativa é entregar desempenho com mais consistência na frente, o que pode nos dar fins de semana ainda melhores. Essa é a Fórmula E — tudo pode acontecer” afirmou o piloto holandês.
Em um campeonato tão equilibrado, no qual a regularidade tende a ter mais peso que a velocidade pura, a Mahindra se apresenta como uma equipe com real potencial para surpreender — e que merece ser observada de perto ao longo do calendário.
O campeonato agora entra em uma pausa para as festas de fim de ano e retorna no México para a disputa da segunda etapa, em 10 de janeiro de 2026.

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